Dieta Vegetariana para crianças
Janete Biscaino
A Organização Mundial de Saúde preconiza, para prevenção das
carências nutricionais, o aleitamento natural até os dois anos de
vida, e nos primeiros seis meses como único alimento.
Após os seis meses devemos introduzir outros alimentos, tomando
o cuidado para se evitar os “adoçamentos”, o excesso de gordura, e
o acréscimo de sal na dieta no primeiro ano de vida.
Então sob o ponto de vista nutricional, podemos iniciar com a
dieta vegetariana aos seis meses de vida. Porém as crianças
com algum risco nutricional devem retardar a introdução da dieta
vegetariana, pois nos primeiros dois anos de vida há um
aumento das necessidades de nutrientes, e deficiências poderão
comprometer o crescimento e desenvolvimento da criança. Daí
fazer necessária, a avaliação cuidadosa por parte do pediatra da
criança, quanto à possibilidade de introduzir a dieta vegetariana e o
melhor momento para a introduzi-la. E é essencial a correta e
adequada substituição dos alimentos restringidos, devendo,
sempre, ser supervisionada por um médico e/ou nutricionista.
O que muda na dieta vegetariana de criança com relação à do
adulto vegetariano...
Para suprir as necessidades do crescimento deve conter:
-maior teor de calorias
-maior teor de nutrientes
-menor teor de fibras
Como substituir a carne com relação às proteínas...
As principais fontes são:
Com o ovo. A Sociedade Brasileira de Pediatria está liberando
o ovo inteiro a partir dos seis meses de idade, de forma livre, para
àquelas crianças que não têm outra fonte de proteína. Porém o ovo
é um alimento que pode provocar alergia. Então cuidado especial
nas famílias de alérgicos, pois as piores alergias alimentares são
por alimentos expostos desde a infância.
As algas marinhas são excelentes fontes de proteínas, minerais,
vitaminas e ricas em fibras de boa qualidade. Podem ser picadas
bem pequenininhas e colocadas na sopinha do bebê, ou como
“mistura” para crianças maiores.
Os cogumelos também são excelentes fontes de aminoácidos,
assim como de minerais, vitaminas do complexo B; inclusive de
vitaminas B12. Os cogumelos do tipo “shitake” e o “shimeji” são mais
ricos em nutrientes e facilmente encontrados no mercado.
O espinafre japonês é considerado “o rei dos vegetais” por conter
seqüência de aminoácidos semelhante à da proteína animal. Exige
um preparo especial para o consumo e tem limite da quantidade
de ingestão por dia.
Leite de vaca e seus derivados.A Organização Mundial da Saúde
“contra-indica a utilização do leite de vaca em crianças com menos
de um ano”, pois sua composição é inadequada contribuindo para
carências, além de provocar outros transtornos. Portanto, no
primeiro ano de vida na impossibilidade de aleitamento materno
ou na necessidade de complementação, deve-se introduzir as
fórmulas infantis existentes no mercado, geralmente são à base de
leite de vaca ou a base de soja.
Os derivados da soja (tofu, proteína texturizada de soja, natô)
também são boa fonte de proteína, além de cálcio e ferro. As
hidrolisadas de soja só podem ser oferecidas após o primeiro ano
de vida, antes disso somente as fórmulas infantis a base de soja.
As leguminosas, cereais e sementes podem contribuir como fonte
de aminoácidos.
Alguns estudiosos da dieta vegetariana recomendam para
assegurar o crescimento da criança vegetariana, um acréscimo
protéico de 35% sobre a recomendação habitual. Exemplificando:
uma criança com necessidade protéica de “x” deverá receber com
a dieta vegetariana um aporte protéico de “x+0,35x”.
O mel também está contra-indicado no primeiro ano de
vida...
Por facilitar a contaminação por uma bactéria, que produz a toxina
botulínica.
Os alimentos fortificados e enriquecidos...
Podem contribuir para a suplementação de alguns nutrientes
Suplementação...
Para os vegetarianos,
Há um consenso da necessidade de suplementação de vitamina
B12 para vegetarianas gestantes, lactantes e lactentes que não
estejam no aleitamento materno exclusivo (ou seja, nos primeiros
seis meses de vida, desde que a mãe que amamenta esteja
recebendo a suplementação recomendada). As recomendações da
vitamina B12 para gestantes e mães que estão amamentando e
para as crianças por faixa etária estão disponíveis no site da
Sociedade Vegetariana Brasileira.
Atenção especial para o ferro, zinco, cálcio.
Na gestante,
A suplementação do ácido fólico na prevenção da malformação no
tubo neural se faz nos primeiros três meses de gravidez ou,
preferencialmente iniciar três meses antes de engravidar.
A necessidade de suplementar ferro dependerá dos níveis da
reserva de ferro.
No bebê,
É obrigatória a suplementação de ferro até um ano de vida, nos
bebês prematuros e naqueles que nascem com baixo peso ao
nascimento (menor ou igual à 2500g).
A suplementação de vitamina A e D se faz até um a dois anos de
idade. A exposição ao sol ou à luz solar, de aproximadamente
quinze minutos ao dia, é importante para a ativação de vitamina D.
Uma atenção especial ao o quê e quanto de alimentos a
criança aceita.
A capacidade de digestão e assimilação assim como as
necessidades de nutrientes são individuais.
Dra. Janete
Viudes Biscaino
CRM: 55873
Janeiro / 2006
Bibliografia:
“Manual das Necessidades Nutricionais Humanas da FAO e OMS”.
– Editora Atheneu, 2003.
“Manual do Departamento de Nutrologia da Sociedade Brasileira
de Pediatria” de 2005, 2006.
“Ciências Nutricionais” – Editora Savier, 1998 – Autores: J. E.Dutra
de Oliveira e J. Sérgio Marchini.
“Alimentos Aspectos Energéticos – de Ysao Yamamura - Editora
Triom, 2001.
“Folhetos – Departamento científico” da Sociedade Vegetariana
Brasileira.
Sugestões para leitura:
“Dieta Vegetariana para pais e filhos – O médico responde” de
Charles R. Attwood, M.D., F.A.A.P. – Editora Madras.
“A Dieta Saudável dos Vegetais – O guia completo para uma nova
alimentação” – Editora Campus – Autores: Vesanta Melina, Brenda
Davis e Victória Harrison.
“Guia de Alimentação Infantil – com dicas de cuidados para crianças
especiais” – de Nana Guimarães – Editora Ground.
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
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